pedro ludgero (porto, 1972)
Obra publicada: Se o poema tem areia (2001), o fim não é o fim (2004).
paisagem islandesa
convidaram-me
para ser a próxima alma armani
mas o que eu gostava
era de ser uma coisa que só acontece aos outros
o alegado eu
tem uma chocante vida dupla
de dia é um fabro
que labuta para a sociedade
de noite
um antiquíssimo poeta
com isso
aprendi que a musa é um gps de vias de facto
aliás
mais de direito serão os projectos
de erguer uma biblioteca no meu bairro
e de fundar um imenso harém
todo p'ra mim
à minha volta
como paparazzis
andam os anjos brandindo provas
em como afinal até existi
ao que eu respondo passando de ultraleve
por baixo de todo o desvario
e apesar da lei não escrita
que prevê que toda a alma
se cosa um dia com o topo do mundo
nesse dia de altíssima costura
'starei pronto a voltar ao desfile da rua
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vladi private islands
eis o que eu vou levar
na minha mochila
................................para westerbork:
uma garrafa de altas quintas Obsessão
(colheita de 2004)
para um momento especial
um vibrador
e o meu brevíssimo programa de governo
constituído por três pontos, a saber:
prometo limpar o rio de ouro
prometo incitar à desobediência militar
e prometo fazer
de cada poema
uma montanha-russa
num parque de sofrimentos
pedro ludgero



